Raiva: Porque Explodes por Coisas Pequenas Quando o Problema é Outro

Alguém demora a responder, o trânsito atrasa-te cinco minutos, alguém interrompe-te uma vez, e explodes de uma forma que nem tu esperavas. Depois vem a vergonha de teres reagido assim por tão pouco. A verdade é que raramente é mesmo por tão pouco. A raiva costuma ser a última gota, não a primeira.

A raiva é quase sempre uma emoção secundária

Por baixo da maior parte das explosões de raiva há outra emoção mais difícil de sentir: cansaço acumulado, medo, ou a sensação de não seres respeitado. O cérebro prefere a raiva porque ela dá energia para agir, enquanto o cansaço ou o medo deixam-te parado. É mais fácil gritar do que admitir que estás exausto ou assustado.

Porque a raiva parece dar controlo numa situação descontrolada

Sentir-te impotente é desconfortável. A raiva transforma essa impotência em ação: gritar, bater a porta, responder mal, tudo isso dá a sensação imediata de estares a fazer alguma coisa. O problema é que essa ação raramente resolve a causa real, e muitas vezes cria um novo problema, a reação da pessoa que apanhou a explosão que não era mesmo dela.

3 passos para responderes à raiva sem seres refém dela

  1. Pergunta-te o que sentias antes da raiva aparecer. Na maioria das vezes há cansaço, medo ou desrespeito por baixo. Nomear essa emoção tira poder à explosão.
  2. Dá ao corpo um espaço antes de responderes. Sair da sala, respirar fundo, contar até dez, qualquer coisa que crie uma pausa entre o gatilho e a ação reduz a chance de dizeres algo que não queres dizer.
  3. Resolve a causa real, não o gatilho. Se estás exausto há semanas, o problema não é a pessoa que te interrompeu agora. É o cansaço acumulado que precisa de ser tratado na origem.

Estes passos ajudam a não descarregares em quem não tem culpa, mas se sentes que estás constantemente a lutar contra tudo e todos, o problema é o estado de alerta em que vives, não cada gatilho isolado. É exatamente esse padrão que o Protocolo Cabeça vs. Arena ajuda a interromper.

A raiva e a amígdala do medo partilham o mesmo circuito de ameaça, e o mesmo mecanismo aparece quando o que sentes na verdade é vergonha disfarçada de irritação.

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